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Três excertos que talvez o convençam a procurar a felicidade

Há livros que contam histórias. E há livros que parecem abrir pequenas fissuras em sítios para onde já não olhávamos há muito tempo. Este é um deles.

Antes dos excertos, ficam três pistas: o autor é bestseller, já publicou vários livros e esteve recentemente no Japão. Agora, resta descobrir se reconhece a escrita.

«O dia em que descobri que já não gostava de ti durou semanas, meses, quem sabe. Arrastou­‐se. Foi crescendo à medida que minguávamos como a Lua. Lembro­‐me de ficar a olhar para ela da tua janela, só para não ter de me rever nos teus olhos. Fui um saltimbanco de emoções. Um malabarista de desculpas. Um trapezista com rede – mas que já não queria ligar­‐te mais.»

Há relações que não acabam de repente. Desgastam-se devagar, quase em silêncio, até que um dia já só resta a distância entre duas pessoas que continuam lado a lado.

«As crianças sonham com o dia de amanhã, os adultos tentam agarrar­‐se aos sonhos que ainda lhes parecem possíveis e os mais velhos lamentam não ter seguido os seus. O “sonho” fica bem com tudo, salvo raras exceções – aquelas em que alguém nos tenta, à força, trazer de volta para não nos desiludirmos.»

Talvez crescer seja precisamente isto: perceber quantas vezes desistimos de nós próprios antes mesmo de tentar.

«O amor desta mãe vinha sempre embrulhado em culpa. Se ele recusasse ajuda, ela chorava. Se se afastava um pouco, ela ficava doente. Se discordava, ela desabava com um “mas eu só quero o teu bem”. Subtilmente, como uma fuga na canalização de que só se dá conta quando a inundação acontece, ele cresceu a sentir que ser livre era magoar a mãe. Que cuidar de si era uma espécie de traição. As boas intenções dela tornaram­‐se numa gaiola coberta de afeto. Nunca lhe bateu, nunca o proibiu de nada. Ainda assim, o excesso de “provas de amor” conseguia sufocar mais do que qualquer castigo. Dizia­‐lhe “eu só quero o melhor para ti”, mas, mais abaixo, havia uma pequena alínea: só existia espaço para o bem que ela achava que ele precisava.»

Há afetos que protegem e outros que aprisionam sem parecer. E talvez uma das formas mais difíceis de liberdade seja aprender a existir sem culpa.

Se reconheceu o autor logo no primeiro excerto, provavelmente sabe também porque é que tantos leitores sublinham os seus livros. Há frases que não se limitam a ser bonitas, acertam em cheio.

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