Durante a sua passagem por Portugal, Samantha Hayes confirmou aquilo que os leitores já suspeitavam: por trás dos seus livros intensos e cheios de tensão está uma mulher curiosa, observadora e muito gentil.
O ritual de escrita é simples e quase sagrado: café, silêncio e o seu próprio espaço em casa, onde escreve diariamente na companhia de Frida, a gata de estimação com um pequeno «bigode» que lhe valeu o nome inspirado em Frida Kahlo. Atualmente, Samantha Hayes escreve dois livros por ano, um ritmo exigente que, ainda assim, parece surgir com naturalidade.
Aliás, a confiança na sua editora é total. É a editora que escolhe os títulos dos livros, algo que Samantha encara com tranquilidade: «Ela sabe o que está a fazer.», partilhou durante a conversa.
Curiosamente, o thriller não foi o primeiro território onde se aventurou. Começou por escrever uma curta história de fantasmas que lhe valeu um prémio. O pai acreditava tanto naquele sonho que lhe ofereceu uma máquina de escrever depois de ela repetir, vezes sem conta, que queria ser escritora.
Samantha Hayes chegou mesmo a trabalhar como detetive privada. Hoje, continua a olhar para o mundo quase da mesma forma: observa pequenos acontecimentos do quotidiano, banais ou estranhos, e começa a fazer perguntas. «E se?» Depois outro «E se?» E outro. Até nascer uma história inteira.
Entre viagens, revelou também estar a aprender francês, já que um dos filhos vive atualmente em Paris. Antes disso, viveu durante alguns anos em Sydney, quando os filhos ainda eram pequenos.
E Portugal? Ficou rendida. À comida, ao sol (apesar do calor muito diferente daquele a que está habituada), e, sobretudo, aos leitores portugueses. Disse várias vezes quão impressionada ficou com o carinho e a dedicação de quem esperou horas para a conhecer. Adora, inclusivamente, as capas portuguesas dos seus livros.
A primeira tradução internacional da autora aconteceu em 2006, para russo. Desde então, os seus thrillers continuam a chegar aos leitores de vários países, embora continue incapaz de escolher um livro favorito. Comparou a pergunta a escolher «o filho preferido de uma mãe».
Mas talvez a resposta mais reveladora tenha surgido quando lhe perguntaram qual seria o título do livro da sua própria vida: A autora imprevisível, respondeu. E, honestamente, acertou em cheio.
Para terminar em tom de confidência: no final da estadia, Samantha Hayes enviou uma mensagem a John Marrs a contar-lhe quão incansáveis e amorosos são os leitores portugueses. Talvez para o ano tenhamos esta dupla incrível de autores na 97ª Feira do Livro de Lisboa!










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