Quando procuramos respostas para as grandes perguntas da vida, muitas vezes esquecemo-nos de olhar para aquilo que está mesmo à nossa frente: atenção plena num passeio, uma chávena de chá, um animal ao nosso lado ou um gesto de bondade podem conter mais beleza do que imaginamos.
Em O Que Realmente Importa na Vida, Anne Lamott escreve sobre amor, esperança, perda, fé e sobre a capacidade de encontrar significado nas pequenas coisas. Neste excerto, com que inicia o livro, convida-nos a refletir sobre o que queremos realmente dizer quando falamos de amor:
«Há uns anos, o meu marido disse algo que cito muitas vezes: "80% de tudo o que é verdadeiro e belo pode ser vivenciado num qualquer passeio de dez minutos." O amor está sempre perto, mesmo nos períodos mais negros e arrasadores, se soubermos procurá-lo. Ao início, ele nem sempre se afigura como sendo encantador, podendo tomar a forma de uma grande bagunça, ou de um velho cão que ressona, ou de uma pessoa que jurámos nunca, mas mesmo nunca, perdoar (por um hipotético excelente motivo, quanto a mim). Mas, pelo meio, também haverá sinais de amor que conhecemos na perfeição: asas, pessoas bondosas, gatos (quando estão bem-dispostos), um campo de flores silvestres, uma chávena de chá.
De que é que falamos, afinal, quando falamos de amor? Em que consiste?»
E que ideia bonita com que começar um livro: a de que nem sempre precisamos de procurar longe aquilo que dá sentido à vida. Às vezes, basta sair de casa, caminhar durante dez minutos e prestar atenção.






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