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O que é que eu poderia deixar de fazer?

Vivemos rodeados de listas, tarefas para riscar, objetivos para cumprir, hábitos para adquirir, competências para aprender, lugares para conhecer. Até o descanso parece ter adquirido uma certa dimensão de incumbência.

E se, por uma vez, não fosse preciso acrescentar absolutamente nada?

Esta é uma das propostas que parece ser das mais difíceis de aceitar: nem sempre precisamos de fazer mais para que a nossa vida seja melhor. Às vezes, precisamos é de parar.

Em Empresário sem Pressas, a defesa do descanso vai muito além do mundo profissional. Tirar tempo para nós, afastarmo-nos durante algum tempo das obrigações e recuperar espaço para a família, os amigos e aquilo que nos faz bem não é um prémio por termos trabalhado o suficiente, é uma necessidade.

Também Alma Selvagem, de Isabel Baía Marques, aborda essa vontade de interromper o piloto automático. A mudança para o campo nasce de uma recusa: a autora já não queria relações superficiais, máscaras, complexidade, excesso de estímulos ou o ritmo avassalador da cidade. Queria paz, tranquilidade, e voltar ao essencial.

Então, o que é que realmente precisamos?

Nem sempre a resposta passa por uma grande mudança de vida. Às vezes, pode estar num passeio de dez minutos, numa chávena de chá, num cão velho que ressona ou num campo de flores silvestres. Em O Que Realmente Importa na Vida, Anne Lamott lembra-nos que grande parte daquilo que é verdadeiro e belo pode estar muito mais perto do que imaginamos.

Por vezes, apercebemo-nos de que perdemos demasiado tempo a procurar aquilo que já estava aqui. A ideia parece simples, mas não é fácil pô-la em prática dado que somos ensinados a associar movimento a progresso, ocupação a importância e produtividade a valor. Mas uma vida preenchida não é necessariamente uma vida cheia.

E, agora, neste preciso momento, talvez seja altura para parar e fazer uma pergunta pouco produtiva: O que é que eu poderia deixar de fazer?

Não para conseguir fazer outra coisa, nem ser mais eficiente; simplesmente para ter mais espaço. 

             

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