Quase dois mil anos depois de ter sido escrito, Meditações, de Marco Aurélio, continua com perguntas que não pertencem só à Antiguidade. Quanto tempo estamos a desperdiçar? O que podemos realmente controlar? Como reagimos quando alguém nos trata mal? E, sobretudo, como queremos viver o tempo que temos?
1. Não adie a sua vida
Quantas vezes esperamos pelo momento certo para começar alguma coisa? Para mudar, descansar, arriscar, estar com alguém ou simplesmente aproveitar o presente?
Marco Aurélio recorda-nos que o tempo não fica à nossa espera.
Até quando continuarás a adiar? Quantas vezes os deuses te concederam dias de graça que acabaste por deixar escapar? É já tempo de atender à ordem de que fazes parte e àquele de quem tudo dimana; e de reconhecer que o limite do teu tempo está traçado. Usa-o para alcançar a calma imperturbável; ou ele passará e não mais estará ao teu alcance.
2. Não se torne aquilo que condena
Há uma tentação muito humana em responder à agressividade com agressividade, à injustiça com vingança, à crueldade com crueldade. Marco Aurélio propõe uma alternativa muito mais difícil:
A melhor vingança é não agir da mesma maneira.
Não significa aceitar tudo. Significa não permitir que o comportamento dos outros determine quem somos.
3. Não confunda dificuldade com impossibilidade
Nem tudo aquilo que nos parece demasiado difícil está, na realidade, fora do nosso alcance. Às vezes, o primeiro obstáculo é a convicção de que não somos capazes.
Só porque a tua própria força não está à altura da tarefa, não suponhas que ela excede as capacidades do homem; mas, se alguma coisa está dentro das capacidades e da esfera do homem, crê que também está ao teu alcance.
Uma ideia simples, mas particularmente útil quando o tamanho de um desafio nos faz esquecer que também podemos crescer para estar à altura dele.
4. Faça a sua parte
Há uma diferença entre responsabilidade e controlo. Podemos escolher aquilo que fazemos, mas não podemos determinar todos os resultados.
Faço o que me cabe; tudo o resto não me pode desviar, pois ou são coisas sem vida, ou sem razão, ou extraviadas, que ignoram o caminho.
Talvez parte da tranquilidade que procuramos esteja precisamente em aprender a distinguir aquilo que depende de nós daquilo que nunca dependeu.
5. Ame a vida que lhe calhou viver
A última reflexão talvez seja também a mais simples. Não escolhemos todas as circunstâncias da nossa vida, nem todas as pessoas com quem nos cruzamos, porém, podemos escolher a forma como habitamos esse lugar.
Vive em harmonia com as coisas entre as quais o destino te colocou; e ama com amor sincero aqueles com quem te coube partilhar a vida.
É uma ideia particularmente poderosa num mundo que nos incentiva constantemente a procurar outra coisa: outra vida, outro lugar, outro momento, outra versão de nós.
É por isto que Meditações continua a ser um livro tão atual: por trás das reflexões de um imperador romano, encontramos preocupações muito pouco imperiais: o tempo que passa, as pessoas que nos irritam, as coisas que não conseguimos controlar, o medo de não sermos capazes e a dificuldade de viver plenamente a vida que temos.






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