Há uma ideia que nos acompanha desde sempre: a de que existem famílias perfeitas e filhos perfeitos. Crianças educadas, inteligentes, bem-comportadas, incapazes de fazer mal a alguém. No entanto, é ao abrir um thriller que se percebe que a perfeição é, muitas vezes, apenas uma ilusão.
Curiosamente, em 2026 nasceram dois filhos perfeitos na Alma dos Livros. Não no sentido literal, mas através de dois thrillers assinados por duas das grandes rainhas do género: Freida McFadden e Lucinda Berry. Em comum, têm muito mais do que o título.
Em O Filho Perfeito, de Freida McFadden parte de um dos maiores medos de qualquer pai ou mãe: e se um dia descobríssemos que, afinal, não conhecemos verdadeiramente o nosso filho? Quando uma adolescente desaparece e Liam, o filho mais velho de Erika Cass, é apontado como a última pessoa a vê-la com vida, a mãe vê-se dividida entre o amor incondicional e uma suspeita que nunca quis admitir. Afinal, até onde vai a confiança de uma mãe quando todas as provas parecem apontar para o filho?
Já A Filha Perfeita, de Lucinda Berry, segue um caminho diferente, mas igualmente perturbador. Christopher e Hannah sempre sonharam ser pais e acreditam que encontraram essa oportunidade ao acolher Janie, uma menina de seis anos. Porém, o trauma da criança começa a manifestar-se de formas inesperadas, transformando o sonho numa convivência cada vez mais angustiante. A pergunta deixa de ser se o amor é suficiente para curar todas as feridas e passa a ser outra, muito mais desconfortável: será que existem crianças que ninguém consegue salvar?
Apesar de seguirem trajetórias distintas, os livros brincam com a mesma expectativa. O adjetivo perfeito surge logo na capa, mas serve precisamente para pôr em causa aquilo que acreditamos saber sobre as pessoas. Posto que, nos thrillers, as aparências raramente resistem até à última página. Freida McFadden e Lucinda Berry são mestres em explorar os medos mais íntimos das famílias, mostrando que o verdadeiro terror nem sempre vem de um estranho.
Se gosta de thrillers psicológicos que abalam os pilares que temos como sólidos, O Filho Perfeito e A Filha Perfeita prometem exatamente isso. Dois livros, duas famílias e uma pergunta inevitável: existirá, afinal, alguém verdadeiramente perfeito?







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