Outubro. Este é um dos meses particularmente perigosos para especular em ações. Os outros são julho, janeiro, setembro, abril, novembro, maio, março, junho, dezembro, agosto e fevereiro.
Mark Twain, Pudd’nhead Wilson
Eis uma resposta que parece promissora, mas apenas durante alguns segundos; até percebermos que foram enumerados todos os meses do ano. Ou seja, se estamos à procura de uma altura segura para especular na bolsa, o calendário não é o melhor lugar para a procurar. O perigo não está em outubro, janeiro ou qualquer mês do ano, mas na própria especulação e, sobretudo, na facilidade com que uma multidão pode perder a cabeça ao mesmo tempo.
A história dos mercados está cheia de exemplos em que a euforia tomou conta dos investidores. Na Holanda do século XVII, os preços dos bolbos de tulipa chegaram a alimentar uma verdadeira mania especulativa. Séculos mais tarde, a Bolha dos Mares do Sul mostrou novamente até onde pode chegar uma massa de gente convencida de que encontrou uma oportunidade impossível de perder.
Nesses momentos, os números deixam de ser suficientes para explicar o que está a acontecer. Surgem histórias, promessas e expectativas capazes de fazer subir os preços muito além do que parece razoável. Na Bolha dos Mares do Sul, chegaram a surgir companhias destinadas a «empreendimentos de grande vantagem» cujo verdadeiro propósito ninguém parecia conhecer. Ainda assim, havia quem quisesse investir.
É assim que funciona a «loucura das massas»: quando todos parecem estar a ganhar, torna-se difícil ser a pessoa que fica de fora. O entusiasmo dos outros transforma-se em argumento. E quanto mais pessoas entram, maior parece ser a razão para entrar também.
Mas as bolhas acabam por rebentar, seja em que mês for. Não existe uma altura pior no calendário para especular, porque o risco não desaparece quando muda um número na data.
Não obstante, Burton G. Malkiel, olhando para a história dos mercados, relembra-nos de que se ela nos ensina alguma coisa, é que a disciplina de longo prazo pode valer mais do que a capacidade de adivinhar qual será o melhor mês para investir.






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