Ser filha. Ser mãe. Ser companheira. Ser profissional. Ser amiga. Ser cuidadora. Ser aquela que resolve. Ser aquela que está sempre disponível. Ser forte quando é preciso, paciente quando falta paciência e capaz de fazer tudo, mesmo quando já não sobra tempo.
Ao longo da vida, uma mulher aprende a ocupar muitos lugares. Alguns, escolhe-os. Outros, chegam-lhe antes de sequer ter oportunidade de perguntar se os quer.
E, pelo caminho, também aprende regras que ninguém escreveu, mas que parecem estar sempre presentes: não ser demasiado exigente, não dizer demasiado alto o que se pensa, não ocupar demasiado espaço, cuidar dos outros, aguentar mais um pouco. Aprendemos a adaptar-nos tão bem que, por vezes, já nem sabemos distinguir aquilo que somos daquilo que aprendemos a ser.
Mas e se o corpo soubesse a resposta antes de nós?
É a partir desta relação entre corpo, mente, emoções e identidade que Corpo de Mulher, Sabedoria de Mulher I propõe uma reflexão sobre a forma como as mulheres foram ensinadas a habitar o próprio corpo, e sobre o que pode acontecer quando começam a escutá-lo de outra maneira.
A Dra. Christiane Northrup questiona os condicionamentos que podem acompanhar uma mulher desde cedo: a vergonha em relação ao corpo, a dificuldade em estabelecer limites, o hábito de colocar as necessidades dos outros à frente das suas e a ideia de que cuidar de si é, de alguma forma, um gesto egoísta.
Reivindicar o próprio corpo pode começar por coisas aparentemente pequenas: reconhecer que está cansada, dizer «não» sem justificar cada decisão, prestar atenção ao que sente, perceber o que lhe dá prazer e aceitar que nem todas as expectativas precisam de ser cumpridas.
E, tudo isto, não significa aumentar o número de versões de nós próprias, mas descobrir aquelas que ainda queremos manter.






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