A Filha Perfeita é um thriller psicológico tão tenso e perturbador que quase se lê como um guião à espera de câmara. Entre manipulação, negação e uma tensão crescente que nunca abranda, este é daqueles enredos que, em versão portuguesa, tinha tudo para resultar num filme impossível de ignorar.
E sim, já imaginámos o elenco ideal.
Victoria Guerra seria uma escolha certeira para Hannah, a mãe que começa confiante, mas rapidamente se vê a perder o controlo da casa, da relação e até de si própria. A atriz tem a intensidade certa para acompanhar esta descida emocional, onde o medo e a dúvida se tornam constantes.
Ao lado, Albano Jerónimo encaixa na perfeição como Christopher, o pai que insiste em ver o melhor em Janie, mesmo quando tudo aponta em sentido contrário. É aquele tipo de personagem em quem o público quer confiar… até deixar de conseguir.
No centro de tudo está Janie, e para ela escolhemos Aura Cunha. O papel exige um equilíbrio difícil: ser simultaneamente frágil e profundamente perturbadora. Não pode parecer exagerado, mas também não pode deixar dúvidas de que há algo errado. É esse desconforto subtil que faz a história funcionar.
Já Lúcia Moniz seria uma excelente assistente social, trazendo credibilidade e calma à fase inicial da história, precisamente antes de tudo começar a desmoronar.
Porque esse é o verdadeiro motor de A Filha Perfeita: a forma como o perigo se instala devagar, dentro de casa, no espaço que devia ser mais seguro. Não há monstros óbvios, nem sustos fáceis; há tensão psicológica, relações que se desgastam e uma pergunta que permanece até ao fim: e se o amor não for suficiente?
Num panorama em que as produções portuguesas têm apostado cada vez mais em histórias fortes e atmosféricas, esta seria uma adaptação com potencial para marcar. Intensa, desconfortável e impossível de ignorar. Alguém avisa a Netflix?






Carla Ferraz
outubro 07, 2026
Acho que o casting está mesmo muito bem pensado, não é só escolher bons nomes, é perceber o que cada ator pode trazer à tensão da história.
A Victoria Guerra como Hannah faz todo o sentido, porque ela consegue transmitir aquela intensidade mais contida, perfeita para uma personagem que vai perdendo o controlo aos poucos.
O Albano Jerónimo também encaixa super bem nesse lado mais humano e crédulo do Christopher, alguém em quem o público confia… até começar a duvidar.
A escolha da Aura Cunha para Janie é provavelmente a mais ousada, mas também a mais interessante. Se ela acertar no equilíbrio entre fragilidade e desconforto, pode mesmo ser o ponto mais marcante do filme.
E a Lúcia Moniz traz aquela credibilidade imediata que ajuda a ancorar a história antes de tudo descambar.
Ou seja, está um elenco muito coerente e alinhado com o tom psicológico, dava mesmo um filme que adorava ir ver.