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Entrevista a Manuel Clemente autor de Não Forces, a Vida Flui

Entrevista a Manuel Clemente autor de Não Forces, a Vida Flui

  1. Com que idade começaste a escrever e quando é que percebeste que tinhas de levar a escrita mais a sério?  

Não me recordo ao certo quando comecei a escrever, mas sei que foi algures nos meus primeiros anos de vida. A minha mãe ainda guarda alguns papéis onde me aventurei inicialmente pela escrita. Foi sempre uma paixão “adormecida”, pois não sabia que a podia levar mais a sério. O ponto de viragem foi em 2016, quando regressei do meu voluntariado em Cabo Verde. Naquele instante, deixei os medos e as inseguranças de lado e lancei-me nas redes sociais para perceber se mais alguém gostava daquilo que escrevia.

 

  1. Os teus livros inspiram milhares de pessoas. E tu, onde, e a quem, vais buscar a tua inspiração? 

A minha inspiração chega-me essencialmente do dia a dia, das coisas mais simples. Tanto pode ser uma conversa que oiço no café como uma frase que vejo escrita num outdoor. Nesse sentido, sou bastante oportunista. Tento estar sempre atento ao que me rodeia e ver se consigo extrair algo dessa observação. Inspiro-me muito também nas minhas vivências, sejam elas mais antigas ou mais recentes. Tento revisitar aquilo que senti e transformar essa viagem numa reflexão que mereça ser partilhada.

 

  1. O teu terceiro livro vai ser lançado dia 1 de julho. Quais os pontos centrais deste livro e em que é que difere dos anteriores? Ou seja, o que podemos esperar dele? 

Pelas razões que todos conhecemos, este livro foi escrito num contexto de confinamento. Foi uma experiência única para a maioria de nós. Talvez por isso, tenha sentido a necessidade de regressar à origem. Após ter convidado as pessoas a não hesitarem, sempre que sentirem, e a escolherem o que as faz feliz, fez-me sentido voltar atrás. Uma espécie de livro “zero”, onde exploro as razões que nos impedem de sentir sem hesitar e de colocar a felicidade à frente. Nestas 208 páginas, vou partilhar histórias inéditas e muitas reflexões novas. Ao contrário dos outros dois livros, desta vez existe um tema que serve de fio condutor. Algo que é transversal a cada um de nós, mas que para descobrirem vão ter mesmo de ler o livro.

 

  1. Qual, ou quais, as experiências que mais te marcaram na vida até hoje? 

Até ao momento, consigo destacar duas grandes experiências que me marcaram. A primeira foi o programa Erasmus na Eslováquia. Aos 21 anos, ter a oportunidade de viver num país completamente desconhecido, foi sem dúvida mágico. Conheci pessoas de toda a Europa e senti que, apesar das diferenças culturais, somos todos seres humanos. Amamos, rimos e choramos da mesma maneira. Pela primeira vez, tive a perfeita noção de que o mundo não é somente Portugal. A segunda grande experiência foi o voluntariado em Cabo Verde. Não só os três meses em que estive lá a viver, como todo o processo que antecedeu essa decisão. Tinha 26 anos e não era feliz. Custou admitir que estava no caminho errado e que as minhas escolhas não tinham sido assim tão espetaculares. Hoje olho para trás com carinho e empatia pelo processo que passei, mas também me recordo que não foi nada fácil. Essa inquietação e transformação estão bem presentes no meu primeiro livro, o Se Sentes, Não Hesites.

 

  1. Desde que iniciaste a aventura da escrita, qual foi a coisa mais engraçada que já te aconteceu com algum leitor (ou leitora)? 

Felizmente já aconteceram alguns episódios engraçados. Recordo-me bem daquele em que, pela primeira vez, fiquei com a noção da “dimensão” que as coisas estavam a tomar. Estava num concerto em Lisboa e havia uma rapariga que não parava de olhar para mim. Isto ao ponto de ter ficado com a sensação que talvez me conhecesse, não enquanto escritor, mas de amigos em comum ou algo do género. Importa referir que, naquela altura, ainda não tinha nenhum livro publicado. No final do espetáculo, vejo-a a vir na minha direção e perguntou se eu era o Manuel Clemente. Assim que confirmei a sua suspeita, chamou mais três amigas. Elogiaram muito aquilo que escrevia e confidenciaram-me que uma das minhas frases servia de “lema” para o grupo delas. Frase essa que, mais tarde, viria a ser o título do primeiro livro: Se Sentes, Não Hesites.

 

  1. E pegando ainda neste último ponto, do que é que mais te orgulhas enquanto escritor? Isto é, sentes que os teus livros têm efetivamente o poder de mudar a vida de uma pessoa? 

O que me deixa mais satisfeito é saber que aquilo que escrevo tem um impacto real na vida das pessoas. Tenho a sorte de receber alguns relatos de leitores que partilham comigo a transformação que os meus livros proporcionam. Obviamente que o mérito é sempre da pessoa. Ainda assim, enche-me o coração saber que, de alguma forma, contribuí para esse processo.

 

  1. Agora pura curiosidade, e para que os leitores também conheçam um pouco mais sobre ti: como ocupas os teus dias? Tens alguma rotina estabelecida, ou cada dia é diferente do anterior? 

Por norma, as manhãs são dedicadas à escrita. É nesta altura do dia que consigo ser mais produtivo. De resto, não tenho uma rotina propriamente dita. Gosto muito de correr, fazer caminhadas, estudar, meditar, ler, cozinhar e ver séries. Sempre que é possível, tento também viajar e descobrir novos lugares.

 

  1. Tens alguma citação favorita da tua autoria? Se sim, qual? 

Gosto de muitas. No entanto, pela simbologia que tem, vou destacar a “se sentes, não hesites”. Além de ser o título do primeiro livro, é a frase que melhor resume um período profundamente transformador da minha vida. Sem esta citação muito provavelmente não existiriam todas as outras.

 

  1. Que livros tens na tua mesa de cabeceira? 

Por norma tenho só um para não correr o risco de me dispersar. Neste momento, estou a reler o Um Mundo Novo do Eckhart Tolle. É um autor de quem gosto muito e que me faz refletir.

 

  1. Que mensagem queres deixar aos teus leitores, tendo em conta a situação atual em que vivemos, ou seja, com os desafios acrescidos que esta pandemia nos trouxe? 

Os tempos que vivemos têm tanto de desafiantes como de únicos. É um período conturbado e que nos obriga a lidar com os nossos maiores receios. Dentro do que for possível, sinto que podemos encarar esta fase como uma enorme sala de aula. Um caos aparente que, em algum nível, serve também para repor o equilíbrio. De nada serve resistirmos e alimentarmos um sofrimento que não faz parte da solução. Tudo se resume a aceitar, deixar fluir e dar o nosso melhor para sairmos daqui ilesos. Quem estiver predisposto a crescer e evoluir, sinto que pode tirar o melhor partido desta partida que a vida nos pregou.

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