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O Diário de Luto: por que escrever e como começar.

Escrever num diário pode ser uma forma de começar a lidar com esses sentimentos. Ao colocar no papel aquilo que nos ocupa a cabeça, conseguimos exteriorizar emoções intensas, registar pensamentos dolorosos e deixar de os repensar constantemente. A escrita permite-nos olhar para essas memórias de outra forma e recuperar algum sentido de controlo sobre aquilo que aconteceu.

Em Quando Perdemos Alguém, o diário surge como uma ferramenta para processar o luto e o trauma. Anotar os detalhes mais difíceis do dia da perda, quando nos sentimos preparados, pode ajudar a retirar-lhes parte do seu poder assustador. Ao mesmo tempo, escrever permite abrir espaço para outras recordações: os episódios marcantes, os momentos felizes e tudo aquilo que partilhámos com a pessoa que perdemos.

Por que é importante ter um diário

  • Evitar remoer pensamentos: escrever permite colocar a dor, as frustrações e os pensamentos traumáticos no papel. Ao sabermos que essas memórias estão registadas, deixamos de as relembrar repetidamente;
  • Exteriorizar emoções intensas e difíceis: serve como uma válvula de escape para expelir a raiva, a culpa e a vergonha. Manter estes sentimentos escondidos torna-os mais perigosos e avassaladores;
  • Recuperar o controlo e neutralizar o trauma: registar os detalhes mais assustadores e dolorosos do dia da perda ajuda a dessensibilizar o trauma, retirando-lhe parte do seu poder assustador e devolvendo algum sentido de controlo;
  • Abrir espaço para memórias felizes: ao retirar a névoa do choque e do caos do cérebro e colocá-la no papel, a mente ganha espaço para resgatar e trazer à tona as boas recordações e os momentos felizes partilhados;
  • Aprender a viver ao lado da dor: a escrita não faz a dor ou os remorsos desaparecerem de forma mágica, mas ajuda a pô-los em perspetiva e a integrar a perda na nova realidade.

Por onde começar

Usar os exercícios sem pressão: as sugestões de escrita encontradas no final de cada capítulo servem como um recurso flexível e não como uma obrigação prescritiva. Não é necessário responder a todas as perguntas.

Explorar as questões ao ritmo de cada um: pode avançar de forma sequencial ou saltar diretamente para o capítulo que aborda a emoção que mais o ocupa no momento (como a raiva, o medo, a culpa ou a negação).

Sugestões práticas de tópicos para começar a escrever:

  • Registar memórias felizes: Escrever episódios marcantes e momentos alegres vividos com a pessoa que perdeu;
  • Escrever cartas: Redigir uma carta à pessoa que faleceu (contando-lhe novidades ou expressando o seu amor) ou escrever uma carta da perspetiva dessa pessoa para si;
  • Desabafos sem filtro: Deixar fluir a raiva e a frustração no papel sem qualquer julgamento ou pudor;
  • Registar os detalhes do trauma (quando se sentir preparado): Colocar no papel os pormenores do dia da perda para libertar a dor do trauma e impedir que fique retida internamente.

A escrita não faz desaparecer a dor nem os remorsos e também não apaga a perda. Contundo pode ajudar a dar-lhes espaço, a compreender melhor o que sentimos e a integrar essa ausência na nossa nova realidade.

 

 

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