Em A Beleza da Distância, Nao-Cola Yamazaki não transforma a doença e a morte num espetáculo emocional. Em vez disso, trata algo muito mais difícil: como continuar a amar alguém quando já não é possível salvar essa pessoa e quanto os gestos de cuidado podem ameaçar a sua liberdade.
O narrador visita diariamente a mulher, internada com uma doença terminal. Lava-lhe o cabelo, ajuda-a nas pequenas rotinas, conversa com médicos e tenta estar presente sem transformar a vida dela num projeto seu. Toda a história bruxuleia entre o cuidado e a preocupação em não lhe roubar a autonomia.
Esta inquietação torna o livro especialmente pertinente uma vez que, quando alguém está doente, é fácil começar a vê-lo apenas como paciente, um corpo frágil ou pessoa que precisa de assistência. Mas a mulher continua a ser uma pessoa completa: tem desejos, opiniões, hábitos, orgulho e direito a decidir sobre o seu próprio tempo. O amor do marido torna-se, por isso, num constante exercício de equilíbrio: estar perto, mas não ocupar o espaço todo; ajudar, mas não controlar; proteger, mas não falar por ela.
O título tem muita força porque a distância nem sempre significa afastamento. Às vezes, é o espaço necessário para que duas pessoas continuem ligadas e permaneçam seres individuais. Mesmo diante da morte, o narrador percebe que a proximidade absoluta não é o único modo de amar, que há relações que permanecem vivas através da memória, dos hábitos e da marca que deixamos nos outros, mesmo quando já não podemos estar fisicamente presentes.






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