Em Operação Satsuma, Bob Mortimer constrói um enredo tão improvável quanto irresistível, onde o mistério se enlaça com a solidão, humor certeiro e a beleza inesperada do quotidiano.
Gary Thorn é o tipo de homem que passa despercebido. Assistente jurídico em Londres, vive preso à sua rotina quieta e dias iguais, onde nada parece capaz de quebrar a monotonia. A sua vida é discreta, previsível e profundamente banal – até à noite em que conhece uma mulher num pub. A conversa demora-se por horas e criam uma cumplicidade tanto instantânea, como inesperada. E, depois, sem aviso, ela desaparece. Fica apenas um livro, com uma laranja satsuma e um esquilo na capa, e uma ânsia que Gary não consegue afugentar. O que começou como o desejo de reencontro transforma-se rapidamente numa necessidade: um conhecido do trabalho desaparece e Gary precisa de provar que esteve com ela nessa noite. De súbito, vê-se no centro de um enigma que o obriga a sair da rotina, a atravessar bairros desconhecidos e a confrontar-se com aquilo que sempre evitou: a própria invisibilidade.
Contado a duas vozes, de Gary e Emily, o romance revela-se uma investigação e um retrato emocional. O humor tipicamente britânico percorre toda a narrativa: subtil, inesperado, certeiro, manifesta-se até nos detalhes mais insólitos, como o hábito de Gary falar com esquilos e imaginar as respostas que eles lhe dão (momentos de absurdo que acentuam, paradoxalmente, a sua inusitada solidão).
Mortimer transforma o banal em extraordinário e mostra como basta um encontro improvável para alterar o rumo de uma vida.
Imprevisível, gracioso e cheio de humanidade, Operação Satsuma é daqueles livros que divertem, intrigam e se leem com um sorriso.






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